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A indústria farmacêutica tem um papel destacado na construção de uma bioeconomia forte, geradora de riqueza e que contribua para a preservação da biodiversidade brasileira, diz Marcelo Thomé da Silva Almeida, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO). “A indústria farmacêutica deve ser estimulada a investir cada vez mais em pesquisa de novo produtos e desenvolvimento de soluções biotecnológicas, tendo a biodiversidade dos biomas brasileiros como base de uma produção diferenciada na qualidade e referenciada na origem”, defende Thomé, que também é diretor do Instituto Amazônia+21.
A Amazônia tem uma das mais importantes biodiversidades do mundo. Como preservá-la e, ao mesmo tempo, pesquisar seu potencial para a produção de novos medicamentos?
Pesquisar o potencial da bioeconomia e fazê-la acontecer é a única forma de se garantir a preservação da biodiversidade da Amazônia. Além de medicamentos, é preciso fortalecer cadeias produtivas sustentáveis tradicionais e inovadoras, em segmentos como cosméticos, fibras, bioplásticos e biocombustíveis, alimentos e uma enorme de variedade de produtos de base vegetal e animal. A isso também devemos associar serviços, especialmente o ecoturismo. A bioeconomia trabalhada nas suas diversas dimensões é o que vai gerar oportunidades de vida com qualidade para os mais de trinta milhões de brasileiros que vivem na Amazônia Legal. E isso é o que pode garantir a conservação da biodiversidade, o fim das queimadas, a floresta em pé. A indústria farmacêutica tem um papel destacado na construção de uma bioeconomia forte, geradora de riqueza e conservadora da biodiversidade, ao mesmo tempo, sim, porque uma coisa não se sustenta sem a outra.
Qual o papel da bioeconomia na neoindustrialização do Brasil e na consolidação do Complexo Econômico Industrial da Saúde?
Neoindustrialização é um neologismo interessante, mas se o prefixo “neo” significa novo, eu prefiro falar em Nova Indústria. É mais direto e comunica melhor. Também não cabe falar de reindustrialização, porque sugere a repetição de um modelo velho, quando o Século 21 exige inovação. No caso da Amazônia, nunca existiu um modelo industrial voltado para as vocações da região. No entanto, se há um consenso no Brasil de hoje, é que só teremos crescimento econômico e social com uma indústria forte. Mas para nossa indústria ser forte, competitiva e globalizada, precisa adotar a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
O caminho mais efetivo para isso é a bioeconomia. E o Complexo Econômico Industrial da Saúde tem potencial para ser um dos principais vetores de alavancagem da bioeconomia em todo o Brasil, especialmente na Amazônia, onde a biodiversidade faz a diferença, inclusive em termos globais. A indústria farmacêutica deve ser estimulada a investir cada vez mais em pesquisa de novo produtos e desenvolvimento de soluções biotecnológicas, tendo a biodiversidade dos biomas brasileiros como base de uma produção diferenciada na qualidade e referenciada na origem. Assim o Complexo Econômico Industrial da Saúde pode se consolidar e ajudar a consolidar a bioeconomia como esteio da Nova Indústria brasileira.
Como incluir a população na discussão sobre o desenvolvimento sustentável e a construção de uma economia verde?
A resposta está na estratégia ESG, a sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança, pois é certo que empresas com responsabilidade socioambiental agregam valor aos seus negócios. Esse ganho é legítimo para quem conserva recursos naturais, valoriza trabalhadores e inclui comunidades nas cadeias produtivas estruturadas. Nesse sentido, um bom exemplo é a parceria do Instituto Amazônia+21 com o povo Paiter Suruí. Eles têm enorme potencial criativo e produtivo, nós oferecemos acesso a educação e qualificação profissional, estudos de oportunidades, modelos de governança e planos de desenvolvimento de negócios sustentáveis.
Mas essa parceria desperta algo maior quando valoriza a cultura Paiter, o seu jeito tradicional de trabalhar e os meios de produção que a floresta oferece. O cacique Almir Suruí me disse que “a gente ainda pode caminhar juntos pela Amazônia e manter essa casa em pé”. Isso me fez entender que não basta incluir as comunidades amazônicas nos nossos negócios, é preciso incluí-las respeitando suas culturas e perspectivas. Já numa dimensão mais urbana, a geração de emprego e renda é a melhor forma de incluir a população na discussão do desenvolvimento sustentável, lembrando que é preciso melhorar a qualidade dos empregos e das oportunidades para as famílias trabalhadoras da Amazônia e de todo o Brasil.
Foto: Agência de notícias da CNI